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quarta-feira, 23 de março de 2011

Piometra



A piometra é caracterizada por um conteúdo purulento e de variados graus de infiltrado celular inflamatório no útero. É um distúrbio grave, potencialmente letal, devido a septicemia (infecção generalizada) e toxemia (presença de toxinas) que podem se desenvolver rapidamente.  O que desencadeia a piometra ainda não está completamente compreendido. Apesar de a progesterona ter um papel claro no desenvolvimento, essa não é a única explicação. A invasão bacteriana, presumivelmente de origem da flora vaginal, é um importante fator desencadeante. Eschericia coli é o organismo mais comumente isolado de cadelas e gatas com piometra.A piometra é mais comum em cadelas do que em gatas. Idade, terapia hormonal anterior constituem os fatores de risco para desenvolvimento da piometra, as terapias hormonais prévias com contraceptivos, aumentam o risco de piometra. A piometra é classificada em aberta ou fechada, podendo apresentar ou não corrimento vulvar. O grau de aumento uterino é variável. 

Piometra (fonte: www.provet.blogspot.com

Os sinais clínicos são evidenciados no pós cio,os mais comuns são corrimento vulvar purulento ou sanguinolento, letargia (estado de sono prolongado), anorexia, desidratação e vômitos. Febre é relatada em 20% a 30% das cadelas e gatas. O diagnóstico é baseado em sinais clínicos, ultrassonografia e exames laboratoriais. O diagnóstico diferencial mais importante para a piometra é a gestação. A maioria das cadelas e gatas com piometra são de meia-idade ou velhas e podem ter doença renal preexistente e com a isso a toxemia pode levar a uma insuficiência renal grave. A piometra pode induzir uma glomerulonefrite por deposição de imunocomplexos. O tratamento da piometra deve ser rápido e agressivo. Septicemia, toxemia podem se desenvolver e ruptura uterina também pode ocorrer. Antibioticoterapia e fluidoterapia devem ser iniciadas o quanto antes. O tratamento de escolha para piometra é a ovário-histerectomia (castração). Mesmo com o tratamento alguns animais vem a óbito devido aos graves danos metabólicos decorrentes da piometra. Alguns proprietários optam pela não castração, devido ao uso do animal para reprodução. Em casos assim, o tratamento clínico pode ser eficaz, porém esse tratamento não cirúrgico não é indicado, pois a piometra pode ter recorrência. 


Qualquer alteração em seu animal procure um Médico Veterinário!




Dra. Mallize Gonçalves 
Médica Veterinária
CRMV-SP 21.291 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Hiperplasia prostática benigna (cães)



A hiperplasia prostática benigna é comum em cães, e acomete mais frequentemente machos inteiros e idosos. Ocorre por estímulo androgênico, que resulta em aumento da prostáta. A hiperplasia prostática benigna geralmente é descoberta acidentalmente durante consultas rotineiras em animais idosos, normalmente é subclínica. Quando apresenta sinais clínicos os mais comuns são tenesmo e gotejamentos de sangue prostático através da uretra na ausência de urina, hematúria e hemospermia. O diagnóstico e baseado em sinais clínicos, radiografias (confirma prostatomegalia), ultrassonografia (acometimento é difuso e simétrico) e palpação da próstata. O tratamento de escolha é a castração para animais que apresentam sinais clínicos, ocorre a involução da próstata após algumas semanas do procedimento (se retira a fonte de andrógenos). Para cães de reprodução que não podem ser castrados, existem fármacos antiandrogênicos, porém a resposta não é eficiente como da castração, os resultados acabam sendo temporários e há recidivas após alguns meses, e o uso desta terapia pode induzir uma metaplasia escamosa da próstata. Existem também tratamentos com progestágenos, porém resultados mostram que o único tratamento eficiente é a castração. Leve sempre seu animalzinho ao médico veterinário, as chances de se diagnosticar doenças precoces são maiores e assim ele terá melhor qualidade de vida.


Dra. Mallize Gonçalves
Médica Veterinária
CRMV-SP 21.291Publicar postagem

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pseudociese (falsa prenhez)


A falsa prenhez ou pseudociese é um fenômeno clínico no qual a fêmea que não está prenhe exibe comportamento maternal, tal como aninhamento, adoção de objetos, desenvolvimento das mamas e lactação. É incomum em gatas. Ocorre em cadelas com ciclos intactos, devido a picos de prolactina (produção de leite) e quedas de progesterona  (hormônio da gestação),  na fase após cio quando não há fecundação. É considerado normal nas cadelas se tiver a duração de 2 ou 3 semanas. Não está associada a qualquer anormalidade reprodutiva, existe alguma predisposição individual para o desenvolvimento da falsa prenhez, além disso fatores nutricionais influenciam a ocorrência. Geralmente não requer tratamento, os sinais desaparecem, estimulação das mamas ou lambeduras podem provocar aleitamento pela própria cadela. Quando o tratamento for necessário, drogas que inibem a liberação de prolactina são eficazes para diminuição do leite e do comportamento gestacional. Não é recomendada a realização da castração na fase de diestro, pois pode desencadear falsa prenhez devido a remoção dos ovários (fonte de progesterona). Nem se recomenda fazer a castração no período da falsa prenhez, pois poderá resultar em períodos mais prolongados. Se os sinais clínicos persistirem por mais tempo que o esperado 2 ou 3 semanas, a cadela deverá ser avaliada para hipotireoidismo. Procure um Médico Veterinário ao perceber qualquer anormalidade em seu animal.



Dra. Mallize Gonçalves
Médica Veterinária
CRMV-SP 21.291