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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Doença Intestinal Inflamatória

A DII hoje é reconhecida como uma das causas mais comuns de vômitos e diarréias em cães e gatos. O termo doença intestinal inflamatória descreve um grupo de doenças intestinais crônicas que são caracterizadas por uma infiltração difusa dentro da lâmina própria por várias populações de células inflamatórias, incluindo linfócitos, plasmócitos, eosinófilos, neoutrófilos e macrófagos. As doenças inflamatórias mais diagnosticadas em gatos são a enterite linfocítico-plasmocítica, a enterite linfocítica benigna e a colite linfocítico-plasmocítica. Em cães, os tipos mais comuns de DII são a enterite linfocítico-plasmocítica e a colite linfocítico-plasmocítica. As causas definitivas da DIIC em animais permanece desconhecida, as causas mais pesquisadas incluem respostas imunes inadequadas de mucosa, alterações de hipersensibilidade da mucosa, influências dietéticas e microorganismos intestinais. Ocorre mais frequentemente em cães e gatos de meia-idade a idosos. Um dos sinais clínicos mais comuns observados é o vômito, nas doenças intestinais inflamatórias, o vômito é reconhecido como uma ocorrência intermitente por semanas, meses ou anos, quase sempre acompanhado de ânsias, podendo ser fluido claro, biliar ou espumoso, o sangue está raramente presente, se presente pode indicar envolvimento gastrico concomitante (ex. erosões, corpos estranhos, gastrite, neoplasia). Muitos pacientes com DII suave têm uma rotina diária sem mostrar qualquer sinal de desconforto em relação aos episódios de vômito. O segundo sinal mais comum é a diarréia, ela pode ser o sinal mais comum em cães, podendo ser um único sinal clínico ou ocorrer em conjunto com vômitos intermitentes. A diarréia pode ser aguda ou crônica, sendo a última mais comum avalidada, que é responsiva ou temproariamente responsiva a alterações na dieta ou no tratamento sintomático não específico. Deve-se identificar primeiramente se o processo diarreico afeta o intestino delgado, intestino grosso ou ambos. Diarréias do intestino delgado são caracterizadas por grandes quantidades de fezes de consistência mole, volumosas ou aquosas, podendo ocorrer perda de peso e alterações clínicas graves de desidratação, anorexia, apatia e esteatorréia.  As diarréias de origem do intestino grosso são de consistência mole, viscosa, listras intermitentes de sangue fresco podem estar presentes, quantidade pequenas de fezes, com aumento na frequência de tentativa de defecar, defecções em locais anormais, a maioria dos pacientes com diarréia limitada de intestino grosso permanecem ativos e alertas, com apetite normal e não perdem peso. Outros sinais clínicos podem estar presentes como alterações em atitude, atividade, perda de apetite, perda de peso, etc. O diagnóstico diferencial de doenças similares deve ser feito, ex. giardíase crônica, hipertireoidismo, sensiblilidade alimentar, supercrescimento bacteriano, insuficiência pancreática exógena, pitiose, deficiências de cobalamina, etc. Um diagnóstico definitivo de DIIC pode somente ser feito através de biópsia do intestino. Outros testes são feitos para avaliar a condição do paciente e para descarte de outras doenças, hemograma, perfil bioquímico completo, urinálise, coproparasitológicos, mensuração da tiroxina sérica (gatos) e testes para FIV, FELV (gatos). Endoscopia é um importante teste para avaliar a mucosa. Radiografias e Ultrasonografias auxiliam no diagnóstico. O tratamento depende de cada caso, geralmente é feito através de terapia alimentar, drogas imunossupressoras, antibioticoterapia (casos com infecções bacterianas). Animais em tratamento com drogas imunossupressoras à longo prazo devem ser monitorados através de hemograma quanto aos efeitos e complicações. Os casos de DIIC podem ser controlados por longos períodos, porém podem ter recidivas,  necessitando de novos tratamentos.

Qualquer alteração em seu animal procure um Médico Veterinário.



Dra. Mallize Gonçalves
Médica Veterinária
CRMV-SP 21.291

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Pancreatite aguda


A pancreatite aguda é uma enfermidade que resulta da inflamação súbita do pâncreas e que pode ser fatal em sua forma mais severa. Tipicamente acomete cães e gatos de meia idade, embora indivíduos muito jovens ou muito idosos também possam ser acometidos. As raças Terrier, Schnauzer miniatura e os gatos domésticos parecem ser os mais predispostos à pancreatite aguda. São várias as causas de pancreatite, desde dieta com alto teor de gordura, obesidade, traumas, hipercalcemia, medicamentos (ex. brometo de potássio, azatioprina, asparaginaseinfecções, porém na maioria dos casos ela é idiopática (desconhecida). Algumas doenças endócrinas concomitantes (hipotiroidismo, hiperadrenocorticismo ou diabetes melito) aumentam o risco de pancreatite grave fatal em cães. Os sinais clínicos são dor abdominal marcante, anorexia, vômitos, desidratação, até um quadro final de "abdome agudo",  insuficiência potencial de vários órgãos e CID. Deve-se fazer o diagnóstico diferencial para outras causas de abdome agudo especialmente corpos estranho ou obstrução intestinal. Alguns pacientes apresentam a clássica "posição de rezar", mas nem sempre é patognomônico para pancreatite. Exames laboratoriais de rotina (hemograma, bioquímicos e urinálise) tipicamente não auxiliam no diagnóstico específico, porém é muito importante realizá-los em todos os casos, pois propiciam importante informação quanto ao prognóstico e auxiliam no tratamento efetivo. Os testes catalíticos para amilase e lipase e imunoensaios de imunorreatividade são os exames mais específicos  para o pâncreas. Ultrassonografia, análise de fluido abdominal e histopatologia também são utilizados. O tratamento é baseado na gravidade da doença, a pancreatite aguda é uma enfermidade muito severa, com altas taxas de mortalidades e requer cuidados intensivos. Quadros mais moderados podem ser controlados com fluidoterapias e analgésicos. Casos com causas desencadeantes conhecidas deve ser tratada ou removida. Qualquer alteração em seu animal procure um Médico Veterinário.




Dra. Mallize Gonçalves
Médica Veterinária
CRMV-SP 21.291

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Dermatofitose canina (tinha canina)

Dermatofitose em um cão
A dermatofitose canina é uma dermatopatia  comum causada por um fungo ceratinofílico. Sua incidência é altamente variável em todo mundo, sendo que temperaturas mais quentes e alta umidade favorecem a infecção por dermatófitos. Em cães, a dermatofitose geralmente é causada por Microsporum canis, Trichophyton mentagrophytes e Microsporum gypseum. Microsporum canis é o organismo comumente mais isolado. A transmissão ocorre via contato direto com pêlos e escamas de gatos infectados e com fômites contaminados. Geralmente é uma dermatopatia autolimitante em cães saudáveis, uma vez que a resposta inflamatória do hospedeiro é capaz de eliminar a infecção. Cães com imunidade comprometida apresentam maior risco de desenvolver a infecções generalizadas ou crônicas. A dermatofitose canina é uma doença com potencial zoonótico (transmitida ao homem). A face e os membros torácicos são os locais acometidos com mais frequência, as lesões são alopécicas, geralmente circunscritas  com suas bordas eritematosas e crostosas, os pêlos se apresentam quebradiços e espessos. O prurido (coçeira) e a dor são notados em casos de infecções mais intensas. Cães filhotes são mais predispostos, já predileção por sexo ou raça nunca foram determinados estatisticamente. O diagnóstico é feito através de cultura para dermatófitos, biópsia ou histopatologia, é importantíssimo o diagnóstico diferencial para outras dermatopatias dentre elas as principais são: foliculite bacteriana superficial, piodermatite, etc. É muito comum o diagnóstico errôneo. O tratamento é longo (média de 30 a 60 dias), é feito através de fungicidas (cetocanazol, itraconazol, miconazol) tópicos (banhos), ou orais dependendo da gravidade da infecção, o tratamento com antiinflamatórios e antibióticos é necessário nos casos de infecções secundárias.
Dermatofitose em humanos


Dra. Mallize Gonçalves
Médica Veterinária
CRMV-SP 21.291

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Posto de doações vítimas Rio

Estamos atuando como posto de doações para as vítimas das enchentes no Rio. Estamos recebendo mantimentos, alimentos, sapatos, etc. As doações serão recebidas asté 29/01 o qual serão encaminahdas para um posto oficial em Campinas. Doem, colaborem ! Nosso endereço: R. Joaquim Pinto Andrade, 88. Jd. Botânico.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Doença Articular Degenerativa (DAD)


Articulação radio-ulnar de um cão apresentando formação óssea periarticular, consistente com DAD (Universidade da Georgia, 2003)


A Doença Articular Degenerativa é um distúrbio progressivo crônico das articulações que provoca lesão a cartilagem articular e alterações degenerativas e proliferativas nos tecidos periarticulares. Instabilidade articular, trauma e doenças ortopédicas do desenvolvimento são as causas mais identificadas. Os sinais clínicos de DAD são em geral insidiosos no início e restritos ao sistema musculoesquelético, sem sinais sistêmicos associados. Claudicação e rigidez podem ser no início evidentes apenas por períodos de esforço excessivo e podem piorar com o frio e a umidade. Cães acometidos de forma leve podem apresentar melhora da claudicação com o exercício. À medida que a DAD progride, a fibrose e a dor levam a diminuição da tolerância ao exercício, claudicação constante e, em casos graves, atrofia muscular. Tanto uma quanto várias articulações podem ser acometidas. 

O diagnóstico é baseado em histórico, achados do exame físico e nos aspectos radiográficos característicos (efusão articular, esclerose do osso subcondral, estreitamento de espaço articular, formação de osteófitos periarticulares, etc.). O achado clínico pode revelar dor na articulação, diminuição da amplitude do movimento, crepitação na flexão e extensão articular e as vezes edema articular apreciável. Uma condição predisponente é frequentemente identificada, como trauma, ruptura de ligamento de suporte, má conformação ou deformidade congênita. Animais com DAD não exibem febre, leucocitose ou prostação, comumente vistas em animais com doença articular inflamatória. 

O objetivo do tratamento é aliviar o desconforto e prevenir degeneração adicional. A intervenção cirúrgica pode ser necessária para estabilizar a articulação ou corrigir deformidade e aliviar desconforto. A redução de peso pode diminuir a carga de estresse que atua na articulação. O repouso ajuda a diminuir o desconforto associado às exacerbações agudas da doença. Exercícios de alto impacto devem ser evitados, enquanto exercícios de baixo impacto, realizados com moderação, como natação e andar com guia, são recomendados para manter a força e mobilidade do animal. Alguns exercícios de fisioterapia também são benéficos. 

Tratamentos medicamentosos diminuem a degradação da cartilagem articular, inibem a liberação de mediadores inflamatórios e controlam a dor. Os antiinflamatórios não esteroidais (AINEs) são recomendados por seus efeitos analgésicos e anti-inflamatórios. É preferível a escolha de uma droga que iniba COX-2 com relativa proteção COX-1 pois fará o controle da inflamação, resultando menos danos à mucosa gástrica ou toxicidade renal. Agentes condroprotetores orais e injetáveis (sulfato de condroitina, glicosamina), podem melhorar a atividade biossintética da cartilagem, diminuir a inflamação sinovial e inibir as enzimas degradativas intra-articulares. Em teoria, para se alcançar o máximo de benefício de todos os produtos, esses devem ser administrados antes da instalação da DAD. Portanto, podem ser indicados para o tratamento de cães que sofreram trauma ou submetidos a cirurgia sabidamente causadores de lesão a cartilagem articular.


Qualquer alteração em seu animal, procure um Médico Veterinário.




Dra. Mallize Gonçalves
Médica Veterinária
CRMV-SP 21.291

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Então é Natal!!!


Nossas cestas estão lindas e aguardando os sorteados!! Quem será o lindo cãozinho e o lindo gatinho que irá ganhar??? Nosso sorteio será realizado dia 23/12/2010. Postaremos aqui os vencedores!!

Boa sorte!!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cardiomiopatia Dilatada Congestiva (CDC)




É uma doença miocárdica primária que é caracterizada pelo aumento de tamanho das câmaras cardíacas, disfunção contrátil sistólica e sinais clínicos de insuficiência cardíaca congestiva (ICC). A etiologia não é muito bem entendida, alguns citam predisposição familiar, outros citam lesões miocárdicas produzidas por diferentes agressões, possibilidades de fatores nutricionais como a deficiência de carnitina, até possibilidades de agentes virais ou de hipotireoidismo. A deficiência de contratilidade é o mecanismo desencadeante de todas as respostas clínicas, resultante das alterações do transporte de cálcio, ocasionando arritmias cardíacas, redução do débito cardíaco e da pressão arterial. Algumas formas clínicas especiais tem sido descritas em algumas raças de cães de grande porte  como, Doberman, Boxer, nesses animais apresenta-se na sua forma clássica, com aumento de tamanho do átrio e ventrículo esquerdos. Muitos animais sobrevivem de forma assintomática por longos períodos de tempo até surgimento dos sinais clínicos de edema pulmonar, efusões (ascite), fraqueza, letargia, sonolência, caquexia cardíaca, alguns animais tendem a apresentar sinais agudos síncope, dispnéia e choque cardiogênico. O diagnóstico é baseado em histórico clínico sugestivo associado a predisposição racial, sinais clínicos de insuficiência cardíaca, alterações à ausculta cardíaca (arritmias, sopros), radiografia torácica, eletrocardiografia e ecocardiografia. O tratamento depende do tipo de insuficiência cardíaca, mas geralmente é baseado em repouso, dieta hipossódica, diuréticos, inotrópicos positivos, vasodilatadores, antiarrítmicos, etc. 

Qualquer alteração em seu animal, procure um Médico Veterinário.



Dra. Mallize Gonçalves
Médica Veterinária
CRMV-SP 21.291